Nas últimas semanas, o cenário político em Santa Catarina sofreu um **abalo significativo com o rompimento do **MDB rompe com Jorginho Mello em SC após recuo sobre vice e racha no Senado. O MDB de Santa Catarina, liderado pelo deputado federal Carlos Chiodini, decidiu deixar a base do governador Jorginho Mello depois que a promessa de ocupar a vaga de vice-governador na chapa da reeleição foi quebrada, gerando um racha interno e disputa por protagonismo.
Com isso, o MDB não só se desligou formalmente da gestão estadual, como passou a buscar um projeto próprio ou alianças alternativas para a eleição de outubro de 2026 — abrindo espaço para negociações com outras siglas de centro e centro-direita.
A articulação em curso: PSD + MDB + PP + PSDB?
Segundo reportagens recentes, lideranças do PSD de Santa Catarina (com o prefeito de Chapecó João Rodrigues na linha de frente) e representantes do MDB se reuniram para discutir a formação de uma coligação ampliada com PP e até o PSDB de Santa Catarina — que poderia disputar conjuntamente o governo do estado e outras posições majoritárias.
Estrutura esboçada
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PSD teria o nome de João Rodrigues como cabeça de chapa a governador.
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MDB sinalizaria com a indicação do vice-governador na chapa.
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PP (Progressistas), tradicional parceiro no Centrão, poderia garantir uma das vagas ao Senado (com destaque para o senador Esperidião Amin).
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PSDB estaria sendo sondado para compor indicando outro nome ao Senado ou cargo estratégico na chapa — embora tudo ainda seja bastante preliminar.
Essa proposta, embora embrionária, já teria sido assinalada como “portas abertas” tanto pelo PSD quanto por lideranças do MDB e PP no estado, justamente como alternativa ao projeto de reeleição do governador do PL.
Por que essa aliança seria considerada?
A motivação por trás desta articulação é política e estratégica:
Isolar o PL na disputa estadual: O governador Jorginho Mello, apesar de favorito e organizando sua chapa com parlamentar do Novo, acabou deixando de fora aliados tradicionais como MDB e PP em posições majoritárias — o que abriu espaço para a oposição formar um bloco alternativo.
Aproveitar o desgaste interno do Centrão: Parte significativa dos quadros do MDB e do PP expressou descontentamento com acordos internos e a forma como decisões foram tomadas sem consenso, abrindo espaço para migrar para um projeto de unidade mais amplo.
Aumentar competitividade eleitoral: Sozinhos, PSD, MDB ou PP tendem a ter menor capilaridade eleitoral contra um governador no exercício do mandato. Unindo forças, podem somar bases eleitorais e estruturas regionais — especialmente em municípios onde essas legendas têm força histórica.
Desafios para a coligação
Apesar das conversas promissoras, há vários obstáculos:
1. Interesses conflitantes
Cada partido tem projetos próprios e ambições internas que nem sempre convergem. Por exemplo, PP e PSDB podem insistir em lugares ao Senado ou à vice-governadoria que ainda não estão garantidos nas negociações.
2. Fragmentação do eleitorado
A direita e centro-direita em Santa Catarina têm se mostrado divididas entre o projeto de reeleição do governador Mello, o projeto do PSD/aliados e outras candidaturas menores. Essa divisão pode dispersar votos em um cenário majoritário com segundo turno.
3. Estratégias ainda em construção
Até agora, as articulações são pré-convenções e conversas iniciais — o que significa que parte das direções partidárias ainda não fechou apoio oficial nem definiu formulações finais de chapa ou compromisso programático.
Cenário nas pesquisas
Pesquisas divulgadas antes do fechamento de alianças indicam que Jorginho Mello ainda lidera as intenções de voto com vantagem considerável sobre João Rodrigues (PSD), embora exista espaço para que projetos alternativos avancem para o segundo turno caso consolidem apoio e agreguem força eleitoral.
Conclusão: possibilidade real, mas ainda incerta
Sim, há uma movimentação concreta de PSD, MDB e PP para costurar uma aliança ampla que envolva até o PSDB, com a finalidade de disputar a reeleição do governador Jorginho Mello. Essa articulação nasce de insatisfações recentes com a chapa do PL e da queda de acordos prévios, e representa uma tentativa do centro e centro-direita de concentrar forças eleitorais contra o projeto dominante do atual governo.
No entanto, a coligação ainda não está formalizada, e vive de negociações em aberto, interesses partidários diversos e desafios para encontrar uma convergência que sustente um projeto competitivo até outubro de 2026.
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