Nas câmaras de vereadores de Santa Catarina, as segundas-feiras costumam seguir o mesmo roteiro: entrega de placas, moções de aplauso e homenagens a pessoas que “prestaram relevantes serviços à comunidade”. Discursos repetidos, palmas protocolares e sorrisos formais preenchem a noite — até alguém decidir quebrar o padrão.
Em Araranguá, esse alguém foi o delegado e vereador Jorge Giraldi, que não poupou críticas ao que chamou de “cerimônia de autopromoção”. Em pleno plenário, desabafou: “É só homenagem pra cá, homenagem pra lá.” A fala repercutiu rapidamente e deu voz ao sentimento de muitos cidadãos cansados da falta de debates relevantes nas sessões.
O discurso de Giraldi destacou o contraste entre a realidade das cidades — com ruas esburacadas, postos de saúde lotados e escolas com problemas estruturais — e o foco dos legislativos em solenidades e eventos simbólicos. Para ele, o excesso de formalidades esconde a ausência de ações concretas em benefício da população.
O caso não é isolado. Situações semelhantes se repetem em diversas câmaras do estado, onde o palco político parece cada vez mais voltado à bajulação mútua do que à resolução dos problemas reais das comunidades.
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