Tribuna: confira o que foi assunto na 39ª Sessão Ordinária da Câmara de Cocal do Sul
Na Tribuna Livre, a presidente do I-QASED falou sobre segurança da mulher e evento no sábado; após, seis vereadores fizeram uso da palavra.
A 39ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Cocal do Sul foi realizada na noite de terça-feira, 3 de novembro. Na Tribuna Livre, a advogada e presidente do Instituto Quem Aprende se Defende (I-QASED), Sarita Felizardo Assis Pacheco, falou sobre a segurança da mulher e o trabalho desenvolvido pela entidade no município desde junho deste ano, com acolhimento e orientação gratuita a mulheres vítimas de violência. Ela destacou os números de feminicídios em Santa Catarina, alertou para as diferentes formas de violência contra a mulher e reforçou a importância da informação e da prevenção antes que as agressões cheguem a situações extremas.
Sarita também apresentou os canais de atendimento do Instituto e convocou a comunidade a participar de uma mobilização no dia 7 de novembro, às 9h, com saída da Praça Coberta em Cocal do Sul, em memória das mulheres vítimas de feminicídio e em defesa da segurança feminina. Com o lema “Mexeu com uma, mexeu com todas”, ela pediu o envolvimento de homens, famílias, escolas, autoridades e demais setores da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher. Na sequência, seis vereadores fizeram uso da tribuna para tratar de assuntos de interesse da comunidade.
Glícia critica discriminação contra pessoas do Nordeste e defende respeito às diferenças políticas
A vereadora Glícia Pagnan (MDB) utilizou a tribuna para falar sobre o aumento da intolerância e do preconceito motivados por divergências políticas. Ela afirmou que sua manifestação não era direcionada à direita ou à esquerda, mas ao ódio presente na sociedade, com destaque para situações de discriminação contra pessoas do Nordeste.
“É revoltante ver brasileiros tratando outros brasileiros com desprezo por causa do lugar onde nasceram. É vergonhoso transformar sotaques em motivo de deboche e diferenças políticas em justificativa para a discriminação.”
Glícia ressaltou que a origem, o sotaque e as opiniões políticas não podem ser motivos para desrespeito. Também criticou ataques nas redes sociais, listas de boicote e disputas entre apoiadores de diferentes grupos políticos. Para ela, a defesa de uma ideologia não pode se sobrepor à dignidade das pessoas. “Não podemos defender a democracia tentando silenciar quem pensa diferente. Democracia não é ter direito de humilhar quem discorda de nós. É garantir que todos possam pensar diferente sem perder o direito ao respeito.”
A vereadora afirmou que políticos, partidos e mandatos são passageiros e que os valores da sociedade não devem ser abandonados em disputas eleitorais. Também destacou a responsabilidade de quem ocupa cargos públicos em dar exemplo, demonstrando que é possível defender convicções e debater ideias sem transformar adversários em inimigos.
Glícia questionou o país que será deixado às próximas gerações caso a intolerância continue e afirmou que liberdade de expressão não significa autorização para praticar preconceito. Disse ainda que não deseja uma sociedade em que todos pensem da mesma forma, mas que pessoas com opiniões diferentes possam conviver com respeito.
Ao encerrar, reforçou que a humanidade deve estar acima das bandeiras partidárias e pediu que o debate político não seja motivo para discriminação. “Antes de sermos de direita ou de esquerda, nós somos brasileiros. Antes de defendermos qualquer partido, somos seres humanos. E antes de qualquer ideologia, existe algo que jamais deve ser negociado, que é a dignidade das pessoas.”
Julio se manifesta sobre publicação em rede social, pede respeito às diferenças e defende união após as eleições
O vereador Julio Fogaça (MDB) falou sobre o período pós-eleitoral, a convivência entre pessoas com opiniões diferentes e a presença de migrantes em Santa Catarina. Ele destacou as oportunidades de trabalho e empreendedorismo no Estado e em Cocal do Sul, município formado por imigrantes. Segundo ele, pessoas vindas de outras regiões construíram trajetórias profissionais e contribuíram para a comunidade.
Fogaça também se manifestou sobre uma publicação feita, segundo ele, por engano no perfil de uma amiga. O título era “Por que as pessoas não voltam para o Nordeste?”. Ele explicou que pretendia usar a frase como título de uma reflexão sobre as oportunidades em Santa Catarina e pediu desculpas caso tenha causado constrangimento. “Se ofendeu alguém, causou algum constrangimento, eu peço perdão, fiz questão de que fosse aqui na tribuna, onde todo o povo pudesse ler, ouvir, ao vivo, trouxe os papéis, não estou nem olhando, para mostrar a minha inteira sinceridade.”
O vereador defendeu que, encerradas as eleições, a população direcione a atenção à cobrança dos governantes eleitos, em vez de conflitos políticos. Também criticou listas de boicote a estabelecimentos comerciais por posicionamento ideológico, afirmando que essas iniciativas prejudicam trabalhadores, fornecedores e a economia local. “Todo mundo precisa levar pão para casa no final do dia. Às vezes tem crises que a gente aumenta, certo?”
Ele incentivou moradores de outras regiões a escolherem Santa Catarina e Cocal do Sul para trabalhar, estudar ou empreender. Disse que o município pode orientar sobre abertura de negócios. Também citou projetos sociais desenvolvidos por meio da Associação Vida Feliz, que auxilia com documentação, habitação e busca por emprego.
Ao encerrar, reforçou a importância do respeito entre pessoas com opiniões distintas e pediu que a população deixe de lado a polarização para contribuir com o desenvolvimento do país. “Você não precisa amar a pessoa, você precisa respeitar, e suportar. Somos todos brasileiros”, concluiu.
Maria Luiza defende diálogo entre diferentes posições políticas e destaca ações no município
A vereadora Maria Luiza Da Rolt (PP) concordou com a fala de Glícia Pagnan sobre respeito às diferenças políticas e disse que divergências não devem impedir o trabalho conjunto. Disse que se identifica com a direita, mas defendeu o diálogo em pautas comuns. Como exemplo, relatou que participou de uma reunião com uma vereadora de Criciúma, de esquerda, para tratar da construção de uma casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência. Após a publicação de uma foto do encontro, afirmou ter recebido críticas de pessoas ligadas a partidos do município.
“Então eu acho que a pessoa e os partidos têm que ter amadurecimento antes de ficar propagando coisas na rua, de que não é verdade. Lutamos por causas iguais em mesas com pessoas de direita e esquerda”.
Maria Luiza agradeceu a participação do público na palestra “Mentalidade financeira: o que ninguém ensinou sobre dinheiro”, promovida pela Escola do Legislativo com Karen Schafer. O encontro reuniu quase 100 pessoas e abordou educação financeira e planejamento. Também convidou para a próxima atividade, em 19 de novembro, às 19h, no Centro de Eventos, com Laine Valgas e Afonso, sobre autoconhecimento e inteligência emocional.
Na saúde, destacou a aquisição de dois aparelhos de laser pela Secretaria Municipal e a capacitação de profissionais. Segundo ela, os equipamentos poderão auxiliar em tratamentos anti-inflamatórios e analgésicos, na recuperação de tecidos e na cicatrização de feridas.
A vereadora citou a manutenção na Rua Edson Gaidzinski e no trevo em frente à Talismã, além da previsão de asfalto no Rio Perso e na Linha Tigre. Mencionou os serviços nas lajotas do bairro Ângelo Guollo.
Ao final, falou sobre a qualidade da água e disse que acompanha a situação com a equipe do Samae. Segundo os técnicos, a situação melhorou nas últimas semanas. Maria relatou que houveram casos de água turva em alguns bairros, porém, pontuais devido a manutenções. Também comentou sobre um rompimento na Vila Nova, no feriado, que foi solucionado em três horas.
Marcel cobra manutenção dos parquinhos e destaca respeito às diferenças políticas
O vereador Marcel Freitas (PSD) manifestou solidariedade à família de Marlei e defendeu que a morte não seja tratada apenas como estatística. Ele afirmou que o caso deve levar à aplicação das leis e à discussão sobre medidas mais rígidas para crimes violentos. Também comentou a necessidade de respeito às diferenças políticas e leu um texto sobre o tema.
O vereador declarou que se identifica com os valores da direita, mas criticou ataques pessoais motivados por escolhas eleitorais. “A democracia, sim, nos dá o direito de escolher, defender nossas convicções e discordar, mas também exige maturidade para compreender que ninguém é obrigado a pensar como nós.” Ele afirmou que votou no candidato identificado pelo número 22, mas que respeita o resultado e espera que os eleitos façam um bom mandato. Também se posicionou contra boicotes a estabelecimentos comerciais por razões políticas, destacando que o comércio depende de todos os consumidores. “O respeito tem que vir em primeiro lugar, isso é fato”, afirmou.
Na infraestrutura, Freitas agradeceu pelo recapeamento realizado na Rua Edson Gaidzinski e na Voluntários da Pátria, após cobranças feitas na Câmara. Em seguida, voltou a pedir a manutenção dos parquinhos. Relatou que uma menina teve as pernas atingidas quando o brinquedo gira-gira caiu durante o uso, no bairro Cristo Rei. Segundo ele, a criança foi levada ao hospital e teve hematomas, sem lesões mais graves. O vereador pediu fiscalização dos equipamentos e defendeu que os espaços sejam interditados até receberem manutenção adequada. “Isso precisa ser feito com urgência ou se isola tudo de uma vez. Não dá para ficar como está.”
Por fim, mencionou a reunião com a secretária de Educação e informou que a parte externa da Escola Demétrio Bettiol também deverá ser revitalizada, assim como as demais unidades. Disse que continua cobrando melhorias nas escolas, como já fazia na gestão anterior.
Gilson fala sobre diferenças políticas, cobra solução para água e propõe mudanças na manutenção dos parquinhos
O vereador Gilson Clemes (PL) comentou as eleições e repudiou manifestações de xenofobia contra pessoas de outras regiões do país. Relatou que viaja ao Nordeste a trabalho e mantém relações com pessoas de diferentes estados. Também citou dados que, segundo ele, indicam que Santa Catarina recebeu mais de 500 mil pessoas de outros estados desde 2017, enquanto cerca de 150 mil deixaram o território catarinense. Para o vereador, o Estado é acolhedor e deve respeitar quem escolhe morar nele.
Gilson afirmou que tem posição política de direita, mas disse não ter problemas com pessoas que votam em outros partidos. Defendeu a alternância de poder e comentou o resultado da eleição, afirmando que, na sua avaliação, o processo ocorreu de forma errada. “E vamos ter que seguir com as nossas vidas, trabalhar um pouquinho mais e rezar para que dê certo, porque todos nós estamos no mesmo barco.”
Sobre a qualidade da água em Cocal do Sul, disse continuar recebendo reclamações de moradores e cobrou uma solução do Samae. Segundo ele, as manifestações chegam desde sexta-feira, mas o problema permanece. “Água é vida e quem não tem condições de comprar uma água mineral de 20 litros faz o quê? Espera decantar e toma aquela água, como é que faz? Continuamos sem solução.”
O vereador também voltou a cobrar providências para os parquinhos públicos. Disse que o assunto é discutido há cerca de seis anos e criticou a repetição de reformas em equipamentos danificados. Na avaliação dele, parte dos danos é causada por adultos que utilizam os espaços para consumir drogas e depredar brinquedos, sem que haja punição. Sugeriu que a Prefeitura estabeleça um prazo de vida útil para os equipamentos e avalie os custos de manutenção.
Gilson defendeu que os recursos municipais sejam priorizados em áreas como educação, saúde, estradas e manutenção dos imóveis públicos. “Então, temos que ser resolutivos. Nós estamos aqui enxugando gelo na questão dos parquinhos também.”
Chicão pede redutor de velocidade na SC-108, cercado em parque infantil e destaca prevenção no Novembro Azul
O vereador Valdnei da Silva, o Chicão (PL), iniciou sua fala abordando a campanha Novembro Azul e a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Ele destacou que a doença pode não apresentar sintomas na fase inicial e pediu que os homens deixem o preconceito de lado e procurem orientação médica. “Prevenir é um ato de cuidado e responsabilidade consigo e com quem se ama. Cuidar da saúde não diminui a força de ninguém. Pelo contrário, é a maior demonstração de força que um homem pode dar.”
Na sequência, voltou a cobrar medidas de segurança na SC-108, no trecho do bairro Vila Nova, onde uma parada de ônibus foi atingida por um veículo durante o feriado. Chicão lembrou que o local registra acidentes graves há décadas e citou mais de 20 mortes no trecho entre as curvas. Também mencionou o atropelamento de um morador que permanece acamado e o último acidente fatal no trecho. Para o vereador, a instalação de um redutor de velocidade poderia evitar novas ocorrências. Ele citou redutores existentes em outras rodovias como referência. Informou que preparou um ofício e pretende entregá-lo em Florianópolis, buscando uma audiência com representantes do Governo do Estado. “E nós todos aqui, nós temos esse compromisso. O bairro Vila Nova faz parte do Cocal do Sul e muitas mortes e fatalidades estão acontecendo ali.”
O vereador também apresentou indicação para melhorias no parque infantil próximo a IEI Rita Consoni. A pedido de uma moradora, solicitou a instalação de uma cerca para evitar a entrada de animais e permitir que as crianças utilizem o espaço. A diretora da creche também afirmou que com a cerca poderia levar os alunos ao local. Ao final, comentou o resultado das eleições e afirmou que, apesar de defender mudanças, espera que o país avance. Pediu que a população ore pelo Brasil, independentemente da religião.
Confira a Sessão na Íntegra
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A próxima Sessão Ordinária acontece na terça-feira, 10 de novembro, às 19 horas. Siga a Câmara Cocal do Sul nas redes sociais e fique por dentro dos principais acontecimentos do Poder Legislativo: Instagram - Faceb