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Educação

Acadêmicos de Ciência da Computação usam a tecnologia para dar voz às crianças autistas da Apae

A turma da segunda fase do curso concentrou forças neste semestre para desenvolver protótipos de Comunicação Aumentativa e Alternativa

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Por Radio Cocal FM
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Acadêmicos de Ciência da Computação usam a tecnologia para dar voz às crianças autistas da Apae
Décio Batista/Agecom/Unesc
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Imagine a sensação de querer expressar um sentimento, uma dor ou um desejo simples e não conseguir fazer com que o mundo ao seu redor o compreenda. Para muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Criciúma (Apae), o silêncio não é uma escolha, mas uma barreira diária. No entanto, um grupo de estudantes do segundo semestre de Ciência da Computação, orientado por professores, utilizou circuitos, códigos e fórmulas matemáticas para transformar esse isolamento em conexão.

O projeto de Extensão “Inclusão Digital na Apae”, idealizado em 2014, com o objetivo principal da inserção digital dentro da Apae, resultou na criação do projeto interdisciplinar com o intuito de aproximar a Universidade da comunidade. Sob a orientação de professores, os jovens acadêmicos tiveram a missão de desenvolver soluções de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), ferramentas tecnológicas capazes de dar voz a quem não é verbal.

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Da sala de aula à realidade da Apae

Tudo começou no primeiro dia de aula deste semestre, quando o projeto foi apresentado. Longe dos laboratórios de informática, os universitários foram visitar a instituição em busca de subsídios e informações para desenvolver um equipamento capaz de atender à demanda. Na visita, eles constataram in loco a necessidade dos alunos, conversaram com os cuidadores e entenderam, na prática, quais eram as carências.

Para construir os protótipos físicos, os acadêmicos, em grupo, precisaram unir os conhecimentos adquiridos nas disciplinas de Eletrônica de Sistemas Digitais, Laboratório de Programação, Design e Interação, e Funções e Derivadas.

O coordenador do projeto e professor do Laboratório de Programação, Luciano Antunes, explicou que o ápice desse esforço coletivo e social acontecerá no início do próximo semestre letivo, entre os meses de agosto e setembro, quando ocorrerá a entrega dos equipamentos à Apae.

“Os trabalhos foram muito bem desenvolvidos e houve um envolvimento grande de cada componente das equipes. Eles agregaram com sucesso os quatro conteúdos curriculares para um fechamento especial. É a coroação de um trabalho que uniu ciência, esforço e, acima de tudo, empatia e cidadania”, avaliou Antunes.

Matemática: o coração e o cérebro da computação

A professora Louise Miron Roloff, que leciona a disciplina de Funções e Derivadas, destaca a satisfação de ver os estudantes conectando os conteúdos para construir o resultado final.

“Muitos me perguntavam: ‘Professora, onde é que eu vou usar funções e derivadas no projeto da Apae?’. Mas, na apresentação final, eles mesmos perceberam que a matemática é o coração e o cérebro de toda essa tecnologia. Ver como eles conseguiram enxergar a conexão entre todas as matérias foi uma evolução fantástica”, avaliou Louise.

Onde o conhecimento toca o coração

A missão dos acadêmicos não foi simples. Conciliar a rotina de estudos, trabalho e o desenvolvimento de um protótipo físico exigiu a dedicação e a persistência de todos os componentes de cada grupo. Mas, para o professor da disciplina de Sistemas Digitais, Ênio José Peruchi, o esforço coletivo é compensador e impacta a sociedade.

“Quando esse projeto começou com a Apae, eu fiquei muito sensibilizado. Não temos ideia das dificuldades pelas quais certos grupos passam. Coisas que para nós são simples, para eles serão o máximo. Eles sabem dos desafios; muitos trabalham e têm dificuldade em conciliar horários, mas, no fundo, dá tudo certo. Se ainda não deu certo, é porque não chegou ao fim. Com a tecnologia, podemos não resolver totalmente a realidade deles, mas, com essas ferramentas, nós vamos tornar a vida deles mais agradável, e é isso que importa”, comentou.

O professor Ênio, visivelmente emocionado, destacou que o envolvimento dos estudantes em causas sociais molda profissionais muito mais humanos e preparados para o mundo do trabalho. “Isso faz bem para a alma”, afirmou Peruchi.

O ciclo que se fecha

O estudante Eduardo Lentz Vendramini, que no próximo semestre vai cursar a terceira fase, considerou essa imersão o combustível que faltava para dar sentido prático aos estudos:

“Foi um projeto extremamente instigante porque nos forçou a desenvolver habilidades que a gente nem sabia que tinha, aplicando o conhecimento em um meio ao qual não estávamos acostumados. Conseguimos unir o útil ao agradável: usar a tecnologia para ajudar a facilitar a vida de pessoas que enfrentam tantas dificuldades no dia a dia. Isso mudou a nossa visão de futuro”, destacou.

Os cinco protótipos desenvolvidos pelas equipes agora passarão pelos últimos ajustes antes de cumprirem seu destino final. Os equipamentos foram construídos a partir de um protótipo de comunicação assistiva utilizando Arduino Uno, leitor RFID RC522, módulo DFPlayer Mini, LEDs, alto-falante e cartões RFID.

 

“Os resultados demonstraram que as soluções atendem à proposta inicial, evidenciando o potencial da utilização de tecnologias de baixo custo para promover a comunicação, a autonomia e a inclusão de pessoas com dificuldades na comunicação verbal”, avalia o coordenador do projeto e professor do Laboratório de Programação, Luciano Antunes.

Projetos Desenvolvidos

Projeto Expressar
Acadêmicos: Alan Nesi, Eduardo Lentz Vendramini, Douglas da Silva Azevedo

 

Vocalizador Eletrônico
Acadêmicos: Gabriel Augusto da Silva, Carlos Eduardo Dos Anjos de Souza, Renã Maciel da Silva, Nikollas Viscardi João, Miguel Henrique Duarte

 

 

Sistema Interativo RFID para comunicação e aprendizado (Apae)
Acadêmicos: Richard Matias Rosa de Souza, Leandro Cardoso Gonçalves, Renan da Rosa Contessi, Alan Farias Lopes e Jones Cardoso Arceno

 

Caixa interativa de comunicação para inclusão Apae
Acadêmicos: Éliton Elias da Silva, Nícolas Teixeira Fernandes, Jorge Ricardo Martins Goettems, Jucelene Maiara Prachedes, Allan da Silva
Desenvolvimento de dispositivo de Comunicação Assistiva
Acadêmicos: Anderson Leonardo Borges Sebastião, João Gabriel Alexandre Zuchinali, Vitor Tramontin Candiotto, Davi Furtado Rodrigues e Murilo Dal Pont Zeferino
Apresentações

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Unesc

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