Enquanto o cenário político brasileiro segue marcado por disputas, crises e falta de direção estratégica, um conjunto de estados avança silenciosamente e sustenta boa parte do crescimento do país. Conhecidos como Estados Onça, conceito criado pela Apex Partners, esses territórios apresentam desenvolvimento acelerado e contínuo, com resultados acima da média nacional. Integram o grupo Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais — além do Rio Grande do Sul nas análises por exportações.
Nos últimos anos, enquanto o Brasil cresceu cerca de 2,5% ao ano, os Estados Onça registraram taxas entre 4% e 5%, comportamento comparado ao dinamismo dos Tigres Asiáticos. O avanço, segundo especialistas, deriva de fatores como ambiente de negócios mais previsível, menor burocracia, segurança jurídica, integração logística eficiente, produtividade elevada e políticas públicas consistentes. São estados onde “sonhar é permitido”.
Santa Catarina é um dos exemplos mais emblemáticos. Com o menor índice de desemprego do país, o estado combina economia diversificada, polos de inovação, agropecuária de padrão internacional e um pacto político de mais de duas décadas para não aumentar impostos. A presença de empresas globais como WEG e Tupy e a forte integração entre indústria, serviços, tecnologia e turismo impulsionam a prosperidade catarinense, que atrai imigrantes e sustenta expansão contínua.
O Paraná também se destaca com concessões e privatizações que modernizaram infraestrutura, rodovias, aeroportos e energia. O estado abriga gigantes cooperativas agroindustriais e se tornou referência de competitividade, gestão pública eficiente e equilíbrio fiscal.
No Centro-Oeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul formam a fronteira agrícola mais competitiva do planeta. Mato Grosso sozinho responde por mais de 27% da soja brasileira. Os dois estados acumulam ganhos de produtividade, integração entre sistemas produtivos (lavoura, pecuária e floresta), rastreabilidade ambiental e logística em expansão, reforçando o superávit comercial do país.
Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo completam o grupo por sua capacidade de inovação e diversificação econômica. Goiás fortaleceu seu parque industrial e logístico; Minas equilibra mineração, energia, indústria e tecnologia; e o Espírito Santo se destaca por eficiência portuária e competitividade internacional.
O protagonismo subnacional
Os Estados Onça representam um Brasil real que já funciona — moderno, competitivo, inovador e integrado ao mercado global — enquanto o país político permanece travado em disputas estéreis. O dinamismo desses estados demonstra que o Brasil pode crescer muito mais do que sugerem os indicadores nacionais.
Especialistas defendem maior autonomia para regiões bem-sucedidas, sobretudo em áreas como educação, para que possam expandir seus modelos e acelerar o desenvolvimento. Com apoio e coordenação, estados como Pernambuco, Ceará e os que compõem o Norte — região com grande potencial — poderiam seguir a mesma trajetória.
A experiência chinesa é frequentemente citada como exemplo: além do planejamento central, seu sucesso foi impulsionado pela forte competição entre províncias e regiões. No Brasil, os Estados Onça já demonstram na prática que o futuro pode ser mais próspero.
Enquanto Brasília se perde em conflitos, essas regiões seguem enriquecendo, fortalecendo suas economias e mostrando que o sonho brasileiro não só é possível — como já está acontecendo.
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