Você chama de preocupação. Mas será que é ansiedade?
Você deita, mas a cabeça continua trabalhando.
Repassa conversas, pensa no que precisa fazer amanhã, imagina situações que podem dar errado e tenta encontrar soluções para problemas que ainda nem aconteceram.
No dia seguinte, levanta e segue normalmente. Trabalha, cuida da família, resolve problemas, responde mensagens e cumpre seus compromissos.
Por fora, parece estar tudo bem. Por dentro, existe uma mente que quase nunca descansa.
E justamente porque você continua funcionando, talvez nunca tenha parado para pensar: será que isso também pode estar relacionado à ansiedade?
Ansiedade nem sempre aparece como uma crise
Sentir ansiedade faz parte da vida. Ela é uma resposta natural diante de situações de incerteza, expectativa ou ameaça.
O problema acontece quando a preocupação começa a ocupar espaço demais.
Em algumas pessoas, isso aparece como dificuldade para dormir, irritabilidade, tensão, pensamentos repetitivos e uma necessidade constante de antecipar situações.
É como se a mente acreditasse:
“Se eu conseguir prever tudo o que pode acontecer, talvez eu consiga me proteger.”
Só que existe uma armadilha: não conseguimos controlar todas as possibilidades da vida.
Então pensamos para tentar encontrar segurança. Não encontramos a segurança absoluta que procuramos e, por isso, pensamos ainda mais.
E quando a ansiedade se esconde atrás do controle?
Há pessoas que precisam deixar tudo organizado, têm dificuldade para delegar, preocupam-se excessivamente com os outros e sofrem quando alguma coisa sai do planejado.
Isso não significa que toda necessidade de controle seja ansiedade. Mas existe uma pergunta importante:
O que você sente que acontecer se não estivesse no controle?
Talvez apareça o medo de errar, de decepcionar alguém, de ser rejeitada, de não dar conta ou simplesmente o desconforto de não saber o que acontecerá.
É nesse momento que olhar apenas para o comportamento pode não ser suficiente. É preciso compreender o que existe emocionalmente por trás dele.
Uma pergunta para levar com você
Na próxima vez que perceber sua mente criando inúmeros cenários, pergunte:
“Isso está realmente acontecendo agora ou estou sofrendo antecipadamente por algo que ainda não aconteceu?”
Se existe uma atitude possível neste momento, faça o que está ao seu alcance.
Se não existe, talvez o desafio não seja pensar mais até encontrar uma resposta.
Talvez seja aprender, pouco a pouco, a conviver com aquilo que você ainda não pode controlar.
Porque muitas vezes passamos tanto tempo tentando nos proteger do amanhã que deixamos de perceber o que está acontecendo hoje.
E fica uma reflexão:
Quanto da sua energia está sendo usada para viver a sua vida e quanto está sendo usada tentando evitar coisas que talvez nunca aconteçam?
Deise Becker
Terapeuta | Mentora Sistêmica | Psicanalista
Contato: (48) 99155-5776
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